URUBU COM FACA EXPEDIÇÃO AMAZÔNIA 2018

28/03/2018

1. Hoje concluímos uma longa caminhada de Salvador a Altamira. Saímos de Salvador as 7:15h, passamos por Recife (onde uma parte do grupo se separou) depois fomos para Fortaleza e Belém (onde o grupo voltou a se reunir) e por final às 15:05h chegamos em Altamira. Logo na chegada nos deparamos com um calor insuportável…uma sensação térmica próxima a de um caldeirão fervendo! Não tinha sinal de chuva. Já no aeroporto os pilotos foram buscar as viaturas e os co-pilotos foram para hotel confirmar as reservas e fazer as compras dos perecíveis no supermercado. Tudo corria bem até que 6 das 11 viaturas apresentaram defeitos já na descida da cegonha!!! Nada que algumas horas de reparo não resolvesse. Em meio aos reparos tivemos uma grata surpresa: uma forte chuva acompanhada de raios e trovões!!! Tudo que os moradores local não queriam e que os membros desta expedição esperavam anciosamente. Então fomos jantar num excelente restaurante chamado Palafita. Lugar rústico, bastante característico da região acompanhado por um ótimo atendimento e um excelente cardápio regado a tambaqui, filhote, tucupi, cerveja Tijuca, etc. Após duas horas no restaurante, voltamos para hotel em meio a chuva, raios e alagamentos…fechando com chave de ouro, após uma maratona de voos até esta região o nosso primeiro dia de expedição.

2. Nosso segundo dia foi bem light. Acordamos cedo para terminar de arrumar as viaturas e proceder o deslocamento de Altamira para Uruará (180km). Todos os carros estavam abastecidos e prontos para enfrentar um trecho muito difícil cheio de lama e dificuldades mas não foi bem assim. Como previsto pela organização, o trecho percorrido foi tranquilo sem muita lama nem atoleiros, apenas umas ladeiras bastantes escorregadias e muita ansiedade de chegar o momento em que pudéssemos usar nossas habilidades e os artifícios offroad que nossas viaturas dispunham. Chegamos na cidade as 14:20h fomos almoçar numa churrascaria e logo após nos dirigimos ao posto BR (único) para completar o tanque padrão dos carros e os auxiliares. Em seguida fomos para a porta do Hotel Dallas terminar de concertar os carros e arrumar as bagagens para o dia seguinte. No hotel fomos surpreendidos com uma equipe de TV da Bandeirantes que viu nossos carros e decidiram gravar uma matéria sobre nossa aventura. Nos reunimos na frente para acompanhar o desempenho dos nossos líderes Urubu e Faca Cega e alguns membros falando sobre o motivo que nos levará a vir de tão longe para enfrentar tamanha dificuldade do outro lado do país. O jantar foi num restaurante regional com cardápio variado sem muitos excessos pois a ansiedade para o início da trilha pesada já tomava conta de todos os expedicionários.
3. Chegamos ao terceiro dia de nossa expedição. As 7h iniciamos nossa caminhada com uma oração em grupo na frente do hotel acompanhada pela gravação da TV Bandeirante com direito a Drone fazendo imagens aéreas. O desempenho da nossa equipe foi um sucesso! Todos passaram nas dificuldades com bastante cautela e competência. A maturidade do grupo ficou evidente na pró-atividade dos integrantes em ajudar não só com dicas mas com a força física também, chegando a fazer um revezamento para abrir caminho com picareta e pá escavadeira. Neste dia nosso deslocamento tinha objetivo de ser cumprido até as 17h mas só chegamos no ponto de acampar as 21h!!!! Novamente no jantar a união prevaleceu, muitos usavam os utensílios dos outros (copos, pratos, comida, bebida, etc.) consumindo dos carros mais próximos mostrando que o coletivo estava à frente da individualidade. Terminada a montagem do local de dormir ficamos reunidos sentados nas cadeiras e curtindo o orvalho tomar conta de toda paisagem sendo iluminado pela lua. A resenha foi ótima…Guga  e Frescura animando à noite e nos fazendo rir o tempo todo. Assim foi nosso dia, cansativo e prazeroso.

4. Neste quarto dia, acordamos as 6h (tudo escuro ainda e com muita neblina) para desmontar o acampamento e preparar os carros para um longo deslocamento até Fordlandia. Alguns acordaram bem e outros nem tanto pois o “dilurimento abdominal” que tanto atrapalhou alguns, marcou a noite de outros visto que no acampamento não tem banheiro, ou seja tudo é feito no mato, escuro, exposto a possibilidade de se deparar com animais e insetos nem sempre são bem vindos nesse momento. O deslocamento neste dia foi maior incluindo trechos de erosão, pontes extremamente estreitas e um longo periodo na transamazônica em direção a Fordlandia. Como o comboio precisou parar algumas vezes para ajustar as viaturas, a organização mais uma vez fez valer a experiência que possuem, nos sugerindo pernoitar na cidade de Ruropolis. Opção aceita por todos afim de que o momento da resenha chegasse logo. Jantamos no restaurante do hotel e fomos dormir à espera do deslocamento até Fordlandia.

5. O quinto dia da nossa expedição foi marcado por livramento divino e atitudes heroicas vinda dos nossos membros. Acordamos as 7h para ajustar os carros que estavam apresentando problemas. Logo cedo verificamos que o carro de Salsicha não tinha mais condições de seguir na expedição. Iniciou então um momento de silêncio e tensão sobre o que deveríamos fazer para ajudar nossos amigos. logo em seguida em meio à tensão de perdemos uma dupla veio a atitude mais elogiada do dia: Soneca e Dunga tinham o banco de trás e ofereceram abrigo no carro deles desmontando toda bagagem e abrindo mão do conforto e da privacidade de seguirem juntos para colocar mais duas pessoas no carro deles. Imediatamente todos se uniram e formaram um multirão para ajustar todas as bagagens já que os mantimentos do carro de salsicha e de Soneca tiveram que ser remanejados nos outros carros. O comboio se dividiu, uma parte ficou no hotel sob orientação de Faca Cega esperando o seguro levar carro de Salsicha e a outra seguiu com Urubu em direção a Fordlândia. Na estrada vimos que Deus está conosco pois tivemos caminhão em sentido contrário invadindo nossa faixa, carro com folga no rolamento da roda quase perdendo a mesma e outro que soltou a barra de direção 1km após saírmos da rodovia asfaltada. Passado os sustos foi só alegria. Fordlandia é uma cidade simples e muito bonita banhada pelo belíssimo rio Tapajós. Ficamos na pousada conversando e tocando violão até tarde da noite. Depois fomos descansar e nos preparar para a trilha prevista do dia seguinte.

6. Depois de uma noite de confraternização com muita resenha ao som de violão e gaita acordamos prontos para a trilha de Fordlândia. Saímos do hotel as 9:40 e já no início do deslocamento fomos agraciados com uma chuva que deixou a estrada super escorregadia. Ninguém (exceto os organizadores) tinha ideia do que estávamos prestes a enfrentar. Mata fechada, troncos de árvores espalhados por todo percurso, pontes estreitas, riachos e subidas com muita erosão…tudo que um grupo de jipeiro poderia sonhar nos foi dado nesta trilha. Entramos na mata comentando que na volta teríamos um belo “banquete” para jantar, mau sabendo que muitas surpresas nos aguardavam durante todo o percurso. Como trilha não tem horário estabelecido para retorno, passamos 21 horas dentro do mato aprendendo com a experiência de cada um como devemos por em prática o exercício da coletividade. Ajudar passou a ser prioridade nas ações de todos e se tornou fundamental para que pudéssemos chegar em paz e em segurança na pousada afim de iniciarmos mais uma vez as 7h da manhã a resenha de entrar em uma mata fechada e conseguir transpor todos obstáculos sem se machucar nem danificar os carros. O “banquete” demorou para chegar mas valeu a pena pois veio acompanhado com a sensação maravilhosa de que estamos com nossas expectativas superadas neste passeio.

7. Nosso sétimo dia foi todo de descanso, arrumação dos carros e boa comida. O dono da pousada preparou um cardápio com direito a churrasco, peixe e um maravilhoso risoto de Aviú (camarão típico da região). Ficamos até à noite comentando sobre a experiência vivida no dia anterior e arrumando as malas para seguirmos em direção a Itaituba no dia seguinte bem cedo.

8. O oitavo dia da nossa expedição foi marcado pelo deslocamento de Fordlândia à Itaituba por um trecho de 130km que em condições normais daria para ser feito em 1:30h mas fizemos em 8h!  As condições da rodovia em meio a chuva não era muito boa mas duas paradas específicas nos demandou tempo. O veículo de um dos integrantes apresentou defeito logo no início da rodovia. Tivemos varias paradas para verificar o problema, seguida de uma tentativa de reboque com um cambão (que não suportou o peso) e o deslocamento em modo de segurança com velocidade limitada o tempo todo. Fora isso houve mais um atraso decorrente do desaparecimento do celular de um dos integrantes. Foram horas de angústia na procura com direito a multirão retirando toda bagagem para ver se não tinha caído dentro do próprio carro. A dupla afetada com essa “perda” chegou a retornar para a entrada de Fordlândia para procurar no meio do mato o aparelho. Seguimos viajem até que em determinado momento todos tiveram sinal de celular e fomos tentar contato com nossos familiares e foi aí que tivemos a grata surpresa: um dos expedicionários cuja visão depende de óculos com grau elevado descobre que o celular que estava sob sua guarda não era o seu. Era exatamente o aparelho perdido! Com isso já dar para ter ideia das gozações feitas sobre este fato inusitado e engraçado. Ao chegar no hotel fomos adiantar a reposição dos mantimentos e o ajuste das viaturas. A noite ficamos na pizzaria do hotel resenhando sobre esse momento marcante das nossas vidas que estamos vivendo esses dias.

9. Chegando em Itaituba tivemos dois dias de folga neste nono e décimo dia de expedição afim de arrumar os carros e prepará-los para o deslocamento via mata até Parintins. Acordamos as 7h e ficamos o dia apreensivos na espera de um dos nossos expedicionários conseguir corrigir o problema do carro dele a tempo de podermos seguir viagem. Quando tudo parecia estar perdido eis que a tão desejada peça de reposição foi encontrada aos “45min do segundo tempo”. Fizemos um verdadeiro carnaval no estacionamento do hotel com direito a champanhe para brindarmos esse feito.

10. Partimos então com destino a Parintins. Saímos do hotel as 6:30, todos bastantes ansiosos pois o deslocamento seria longo e a previsão de dormida na mata poderia ser de até três dias. Vivemos então mais uma aventura. Logo no início fizemos o resgate de um caminhão que estava atolado no caminho juntando quatro carros do nosso comboio. Em seguida encontramos dificuldades mas nada que a união e a força do grupo não pudesse superar. Tudo correu bem e o objetivo de chegar no ponto de apoio para dormir foi alcançado as 18h com relativa folga no horário. Foi então que mais uma vez pudemos comprovar a maturidade do grupo; fizemos uma votação para decidir se iríamos continuar até o próximo ponto a 70km de distância que tinha mais estrutura ou ficaríamos no local abandonado que estávamos. Empatada a votação, a organização teve que intervir e decidiram ficar onde estávamos para imediatamente fazermos um churrasco e nos prepararmos para a saida no dia seguinte às 5h.

11. A noite anterior foi super animada mas acordar depois de um dia de trilha não foi nada fácil. Nesse décimo primeiro dia a sirene do carro de nosso líder tocou exatamente no horário. Acordamos, tomamos café e seguimos em direção a Parintins. No caminho nenhuma dificuldade no piso foi capaz de atrasar nosso comboio. Tivemos duas situações para administrar referente a manutenção nas viaturas, ficando 4 horas no total parados na mata tentando resolver. Mais uma vez a colaboração de todos prevaleceu e nenhum carro precisou ser rebocado. Seguimos viagem por mais 170km de deslocamento até a Parintins onde chegamos às 23h depois de atravessemos em duas balsas fretadas para nossa expedição.

12. O décimo segundo dia do nosso passeio foi mais leve. Arrumamos os carros e aproveitamos o dia para conhecer um pouco a cidade. Nada de trilha ou deslocamento afinal depois de quase 40h na mata precisávamos de um pouco de descanso. O dia seguiu bem até que fomos surpreendidos com a notícia de que um integrante teria que retornar a Salvador antes do esperado devido a um problema de saúde de um familiar. Ficamos sentidos e em oração desejando um bom retorno e melhoras para seu ente querido.


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